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| XI Arriá du Centu du Ogustu |
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Paulo Ricardo pede desculpas para voltar ao rock |
uol |
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| Divulgação |
Paulo Ricardo, 42, já é famoso faz 20 anos. Começou em 1984 quando formou o RPM e entrou para a história da indústria fonográfica brasileira ao ultrapassar os 2,7 milhões de cópias com o disco Rádio Pirata ao Vivo. Teve seu rosto estampado em álbum de figurinhas, foi capa de diversas revistas, virou pôster, camiseta... Aonde quer que fosse era perseguido pelas fãs e não podia sair às ruas sem seguranças. Houve um momento, no auge do RPM, em que Paulo Ricardo girou o dial do rádio e constatou que todas as emissoras estavam tocando alguma música do grupo. Isso era 1986. Dois anos depois, a situação tinha mudado da água para o vinho. Os quatro rapazes que haviam se tornado o maior fenômeno pop do país não seguraram a onda. Ficaram arrogantes, abusaram das drogas, e o sucesso subiu à cabeça. "O erro foi misturar uma atitude rock'n'roll, regada a Jack Daniel's, com a euforia de garotos de 20 anos sendo histericamente adulados", avalia Paulo Ricardo.
Em 87, a banda tirou um ano off para tentar recuperar a paz. Mas o disco lançado no ano seguinte, Os Quatro Coiotes, reforçou o clima de decadência. Apesar das 200 mil cópias vendidas, a crítica foi cruel e o RPM desintegrou logo depois. Paulo foi quem mais sofreu com o fim da banda. Não se conformava de ter perdido tudo e foi tentar a sorte solo. Ele se lembra bem de uma noite de 1989 em que estava num bar na periferia do Rio. Aguardava a hora de entrar no palco. Depois de ter feito lotar o Maracanãzinho, teve que engolir um camarim com chão de terra, cheio de engradados de bebidas.
De 1989 a 1991, engordou 12 quilos e começou a beber muito. Entrou em depressão até que uma paixão salvou sua vida. Conheceu a atriz Luciana Vendramini e foi se levantando. Abandonou as drogas, parou de beber todo dia, mas não conseguiu deslanchar a carreira solo.
Em 93, convenceu Fernando Deluqui, guitarrista do RPM, a tentar uma volta. Com um som pesado demais, os dois fracassaram. Parecia o fundo do poço, mas PR foi resgatado pelo rei. Quando fez 50 anos, Roberto Carlos recebeu uma homenagem da Globo e escolheu Paulo como cantor preferido. "Aquilo me deu forças para continuar."
Inspirado pelo elogio do rei, Paulo resolveu virar cantor romântico. Ele, que cursou três anos de jornalismo na ECA (Escola de Comunicação e Artes da USP) e foi correspondente de música em Londres, deveria saber bem os riscos dessa empreitada. Mas embarcou numa ego trip e achou que conseguiria fazer essa transição do pop rock para o popular sem causar danos à sua imagem. Errou feio, foi tachado de brega, mas seus três álbuns dessa fase venderam mais de 1 milhão de cópias. "Gosto dos meus discos da fase pop romântica. Trabalhei duro, praticamente co-produzi todos, mas a maneira de mostrar o trabalho foi um pouco sem critério."
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