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Hospitais ainda sofrem com falta de remédios

Klezy Araújo/JT

Quatro dias depois de ter sido intensificada a crise nos principais hospitais de referência do Estado por falta de medicamentos pouca coisa mudou desde então. A falta de remédios faz com que os hospitais Gerais de Palmas (HGP), maior do Estado, Dona Regina, de Referência de Araguaína (HRA) e Gurupi (HRG) continuem restringindo atendimentos e suspendendo as cirurgias eletivas, aquelas marcadas com antecedência. Os hospitais também deixaram de atender pacientes encaminhados do interior do Estado, o que têm provocado dificuldades nestes municípios.

Remessas de medicamentos começaram a chegar em alguns hospitais, conforme informações das diretorias, mas a situação ainda é preocupante. No HGP, por exemplo, apesar da informação de que alguns remédios foram repostos, o hospital continua com sua capacidade de atendimento reduzida em 60%.

Guaraí

Na cidade de Guaraí, uma das maiores do Estado, na região Noroeste e a 200 quilômetros de Palmas, a situação também é de alerta. Segundo o diretor geral do Hospital de Guaraí, Valdemir Giratto, o hospital ainda não recebeu nenhum medicamento, mas falou que teria sido informado pela Secretaria Estadual de Saúde (Sesau) que os remédios chegariam até o fim desta semana. De acordo com Girratto, faltam remédios básicos e as cirurgias eletivas também estão suspensas.

Em Miracema, na região Central, a 80 quilômetros de Palmas, a diretora do hospital Vera Carvalho afirmou que, não estão faltando medicamentos, porém o local enfrenta dificuldades nos casos de encaminhamentos de pacientes para o HGP, já que o mesmo teve sua capacidade de recebimento reduzida.

Em nota, a Sesau informou que as primeiras remessas de medicamentos já estão sendo encaminhadas aos hospitais, mas não informou ao certo sobre a quantidade e quais medicamentos estão sendo enviados. Ainda em nota, a secretaria informou que os fornecedores estão entegando os produtos no Estoque Central Regulador, sendo materiais cirúrgicos, analgésicos e anéstesicos.

Além do repasse de medicamentos, a Sesau prometeu à classe médica que a produtividade dos mesmos será paga nesta terça-feira. O último pagamento de produtividade recebido pelos profissionais foi referente ao mês de março.

Inspeção

O Sindicato dos Médicos do Estado(Simed) protocolará na tarde desta terça-feira um documento no Ministério Público Estadual (MPE) pedindo uma inspeção dos recursos destinados à saúde no Estado. O documento foi elaborado após realização de uma assembléia geral dos médicos, que prestam serviço para o Governo do Estado, ocorrida na última semana.

A promotora da justiça e cidadania, Maria Roseli de Almeida, informou que em posse do pedido dos médicos, o MPE realizará uma inspeção de irregularidades e apuração de responsabilidades na saúde pública do Tocantins.

Roseli afirmou que, além das reclamações da classe médica sobre o atraso no recebimento de salários, o MPE também deverá apurar a aplicação dos recursos destinados à compra de medicamentos, através de uma auditoria nos Tribunais de Contas do Estado e da União, já que os principais hospitais do Estado enfrentam uma crise devido a falta de remédios.

 

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