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Diferença entre pobres e ricos está aumentando |
Jamil Chade (AE)/Genebra |
A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que os dados do suposto avanço nas condições de saúde no Brasil e outros países latino-americanos podem estar escondendo uma realidade trágica: o abandono de certas camadas da população e uma crescente diferença entre o tratamento recebido em diferentes regiões dos países. Em relatório divulgado ontem, em Genebra, a agência de saúde da ONU alerta que muitos países em desenvolvimento não conseguirão atingir as metas estabelecidas pelas Nações Unidas para reduzir os problemas de saúde até 2015. Mas o que mais assusta a OMS é que, em muitos casos, a diferença entre as economias pobres e ricas está aumentando, assim como a que existe dentro dos próprios países.
Os objetivos foram estabelecidos em 2000 e ficaram conhecidos como Metas do Milênio, colocando obrigações sociais para os governos até 2015. No próximo mês a ONU volta a reunir os chefes de Estado de todo o mundo para debater como pôr em andamento essas metas nos próximos dez anos. No campo da saúde, elas estabelecem a redução da mortalidade infantil em dois terços em 2015, tomando como base a realidade em 1990, e em 75% a da mortalidade materna, além de garantir diminuição na contaminação de pessoas por aids, os casos de malária ou tuberculose. O acesso à água potável também está entre os objetivos.
Crianças
Se essas metas fossem atingidas, a OMS estipula que poderia salvar pelo menos parte das 11 milhões de crianças que todo ano morrem de doenças que poderiam ser evitadas. Mas o problema é que, diante dos obstáculos, a agência já alerta que muitas dessas metas não poderão ser cumpridas pela maioria dos países em desenvolvimento, se não houver uma mudança radical nas políticas nacionais.
No caso da mortalidade infantil, o mundo conseguiu reduzir de 105 mortes por mil crianças para 88 mortes entre 1990 e 2003, um resultado insuficiente. Quanto à mortalidade materna, a média mundial é de 400 vítimas por 100 mil partos.
No total, a ONU estima que o mundo precisa investir US$ 135 bilhões a partir do ano que vem para que todas as metas, incluindo a redução da pobreza, sejam atingidas em 2015.
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