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Vítimas de doença ocular começam tratamento em Goiás |
Carla Borges (O Popular)Goiânia |
Os tocantinenses Herkto Ferreira de Souza, de 11 anos, e Kayson BenícioCalaça, 10, estão descobrindo os “encantos” da cidade grande desde quechegaram a Goiânia, no início desta semana. Com a inocência própria daidade, estão alheios ao interesse que despertam em um batalhão de médicose outros especialistas, determinados a desvendar a doença não-identificadaque provocou lesões oculares em 195 outras crianças, além de Herkto eKayson, na cidade de Araguatins, no extremo Norte do Tocantins. Eles estãosendo acompanhados no Centro de Referência em Oftalmologia (Cerof) doHospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (UFG) por umaequipe chefiada pelo oftalmologista Marcos Ávila.O tratamento das lesões com antiinflamatórios já começa a dar resultados.Herkto disse ao Popular que já está enxergando melhor desde que iniciou o tratamento. Também já foram colhidas amostras de sangue e dos tecidos atingidos pelas lesões para exame. O resultado da biópsia deve ser divulgado na próxima quarta-feira. Oftalmologista do Cerof e professor da UFG, José Beniz acha difícil encontrar o agente causador da doença, possivelmente um parasita. “Vamos pelo menos tentar ver, com a biópsia, algum tipo de reação no tecido da córnea”, acredita Beniz. “Essa situação nos causa ansiedade e preocupação, porque não sabemos a causa”, observa Marcos Ávila.Pai de Herkto, o lavrador Valdiné Reis de Souza, 40, conta que ficouassustado quando, depois de levar o filho ao médico por duas vezes, ficousabendo que ele tem a mesma lesão que espalhou medo pela cidade. “Meupânico aumentou ao saber que meu filho poderia perder o olho. Procureiajuda na hora”, relata.
A melhora no quadro do filho já anima o lavrador, que vai ficar em Goiânia até a conclusão do tratamento. “Nossa expectativa é que eles se recuperem o mais breve possível e que, através deles, se descubra que doença é essa que ninguém conhece, nem sabe o que fazer como medida de prevenção”, afirma. “Espero que eles fiquem bons e que ninguém mais fique doente”, diz Raimunda Pereira Benício, 60, tia de Kayson.
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