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Casos de lesão ocular serão tratados em Goiás

Carla Borges/O Popular

Todos os casos de lesões oculares de origem desconhecida registrados noextremo Norte do Estado do Tocantins serão tratados em Goiânia, no Centrode Referência em Oftalmologia (Cerof) do Hospital das Clínicas daUniversidade Federal de Goiás (UFG), e não mais no Hospital São Geraldo,em Belo Horizonte (MG). Pertencente à Universidade Federal de Minas Gerais(UFMG), o hospital mineiro realizou o atendimento e cirurgias de setecrianças de Araguatins (TO) afetadas pela doença

As últimas cirurgias foram feitas no domingo e todas os pacientes passam bem. “Nosso ciclo acabou, agora começa o do Cerof. Não é lógico que essas crianças saiam de Araguatins e viajem três dias de ônibus, se aqui (em Goiânia) é mais fácil, mais perto, tem toda a estrutura e há interesse em acompanhar”, afirmou ontem ao POPULAR o professor titular de Oftalmologia da UFMG, Fernando Oréfice.

O médico, que coordena a equipe multidisciplinar de atendimento, disseque, num primeiro momento, era interessante que os pacientes fossematendidos em Belo Horizonte, pela proximidade com o laboratório daFundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), para onde foram encaminhadas amostras dostecidos atingidos para biópsia e outros exames.

Duzentos e quatro casos dadoença foram notificados e confirmados. As causas da patologia, que já levou a conseqüências como redução da visão e até perda total do olho atingido, continuam uma incógnita, embora pesquisadores de todo o Brasil estejam bem próximos de anunciar suas conclusões. Eles se reunirão para finalizar os estudos no Rio de Janeiro, após o carnaval.

A pesquisa está sendo conduzida por profissionais da UFMG, da Fiocruz deBelo Horizonte e do Rio de Janeiro, Instituto Adolfo Lutz, Universidade deSão Paulo (USP) em Ribeirão Preto, Serviço de Uveíte do Hospital SãoGeraldo e Universidades de Brasília (UnB), de Campinas (Unicamp) e deGoiás. Estão sendo estudados caramujos abundantes na região, amostras deágua do Rio Araguaia e de pequenos afluentes, do solo, possíveishospedeiros do agente causador, como cães, capivaras e peixes, e até aantropologia local. Entre todas as possibilidades apontadas pelospesquisadores, três permanecem como prováveis causas das infecções:parasita do tipo nematóide, parasita trematóide ou fungo.Em entrevista ao POPULAR na manhã de ontem, na sede do Cerof, FernandoOréfice adiantou que não acredita que o Rio Araguaia seja a única ouprincipal fonte de propagação da doença. “Não vejo por que colocar oAraguaia como vilão de tudo isso aí. Acho que ele é uma parte pequena”,declara o professor. “O Araguaia não é uma lagoa, é um rio imenso e esseproblema é restrito; então, deve haver alguma coisa errada no saneamentopúblico. Vejo um panorama otimista e vamos chegar, sem dúvida, à fonte”,afirma, ponderando que o Araguaia deságua no Tocantins que, por sua vez,chega ao Oceano Atlântico. “Se fosse a água, estariam contaminados oAraguaia, o Tocantins e até o oceano. É impossível, isso é uma coisaregional”, avalia.

 

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